Carlos Camponez (Leiria, 1964) é professor associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se doutorou na áreas de Ciências da Comunicação, especialidade em Ética e Deontologia da Comunicação (2010). É diretor do Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação (2025) e preside a Sopcom - Associação Portuguesa a de Ciências da Comunicação (2026). Também foi presidente da Lusocom - Confederação Lusófona das Ciências da Comunicação (2022-2024) e vice-presidente do Conselho Deontológico do Sindicato de Jornalistas (2022-2024).
Dirigiu os cursos de licenciatura (2016-2017) e mestrado (2010-2015) em Jornalismo e Comunicação e participou em vários órgãos científicos, pedagógicos e de gestão da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Empenhou-se no projeto de criação do Grupo V de investigação em Comunicação, Jornalismo e Espaço Público do Centro de Estudos Interdisciplinares do Séc. XX, que dirigiu entre 2012 e 2021, assim como fundou a Mediapolis – Revista de Comunicação Jornalismo e Espaço Público, de foi também diretor.
Entre outros elementos da sua atividade científica, contam-se a publicação de dois livros individuais, participação na edição de 11 revistas, edição de 15 livros e revistas e dois relatórios científicos. Publicou cerca de três dezenas e meia de artigos em revistas e capítulos de livros científicos; orientou cinco teses de doutoramento; participou em cinco projetos de investigação financiados; em dois não financiados; e organizou quatro dezenas de eventos científicos e apresentou comunicações em mais de meia centenas de conferências.
Em 2020, foi um dos principais mentores da fundação da Rede Interuniversitária de Estudos do Jornalismo sobre Jornalistas (Riej).
A investigação de Carlos Camponez tem por foco principal a ética e a autorregulação do jornalismo e dos media. Nos seus estudos, procurou analisar o jornalismo na sua relação com a democracia e o seu papel na promoção de uma sociedade mais equilibrada, justa, participativa e inclusiva.
Os primeiros estudos académicos foram realizados no domínio da imprensa regional, que culminaram com a publicação do livro Jornalismo de Proximidade – Rituais de comunicação na imprensa regional (2002). Decorridas duas décadas, esta obra ainda faz parte da bibliografia de referência na área. “Jornalismo de proximidade” é um conceito cunhado em Portugal, Espanha e Brasil, por referência ao jornalismo regional e local que foi inspirado por essa investigação, publicada em 2002. O estudo contribuiu para estabelecer um conjunto de referências conceptuais e teóricas para o futuro de investigações no domínio do jornalismo local e regional, bem como da comunicação comunitária. Até então, as investigações sobre este tema, em Portugal, sustentavam-se em quadros teóricos incipientes e incidiam sobre estudos de casos particulares e/ou perspetivas socioeconómicas. O conceito de jornalismos de proximidade procurou encontrar enquadramentos teóricos, a partir de uma perspetiva das Ciências da Comunicação, para perceber o papel dos media de proximidade a partir da noção de pacto comunicacional. Do mesmo modo, procurou-se identificar diferentes tipos de comprometimento editorial territorialmente situado, perceber as especificidades e papéis do jornalismo e dos media locais e regionais e apresentar abordagens críticas acerca das coberturas mediáticas em contextos de proximidade.
A partir de 2006, Camponez reorientou a sua investigação para os estudos socioprofissionais e da autorregulação do jornalismo. Duas razões presidiram a esta decisão: por entender estas duas áreas de estudos como centrais para perceber a normatividade do jornalismo assim como o quadro de realização das suas práticas profissionais; para responder às necessidades científicas e académicas nesta área, no curso de jornalismo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde é docente. Nessa linha de investigação, concluiu, em 2010, o doutoramento, que inspirou projetos científicos posteriores, em quatro áreas concatenadas: 1) o estudo da história e modelos da autorregulação do jornalismo; 2) o estudo de conceitos-chave da ética do jornalismo; 3) a reflexão sobre os fundamentos éticos para o jornalismo contemporâneo; 4) estudos socioprofissionais sobre os jornalistas.
No primeiro domínio destacam-se os trabalhos realizados sobre a história e modelos de autorregulação do jornalismo, que têm sido objeto publicações nacionais e internacionais (nomeadamente, European models of journalism regulation - A comparative classification, Routledge, 2019; Portugal : Le poids de l’État sur l’autorrégulation. Recherches en Communication, 2022 ; La construction du concept juridique de journaliste au Portugal, entre contrôle et autonomie (1934-1999). Temps des Médias, 2023)
Num segundo domínio desenvolveu reflexão crítica sobre conceitos-chave do jornalismo, de que são exemplo: “proximidade informativa” (Jornalismo regional: proximidade e distanciações. Linhas de reflexão sobre uma ética da proximidade no jornalismo, 2012); “engajamento jornalístico” (Ética do engajamento jornalístico na era digital, em Jornalismo: Reflexão e Inflexão, no prelo); “infoentertenimento” (Infoentretenimento: perspectivas de regulação de um género híbrido, ERC, 2021). Este último trabalho resultou de uma solicitação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, em Portugal,
Numa terceira linha de estudos, exploram-se novos quadros teóricos para o jornalismo contemporâneo, para além dos tradicionais referenciais éticos clássicos. O objetivo é o de conceber novos caminhos de uma infoética para o jornalismo, a partir dos pressupostos das éticas aplicadas. Encontra-se entre estes trabalhos o artigo Between truth and respect – Towards an ethics of care in journalism (Comunicação e Sociedade, 2014). Nele desenvolvem-se as primeiras teorizações de Joane Tronto sobre a Ética do Cuidado, aplicadas ao jornalismo, uma perspetiva que tem sido também seguida por vários estudos, nomeadamente em Portugal, no Brasil e nos EUA.
Estas linhas de investigação estão a ser cruzadas com os estudos socioprofissionais dos jornalistas, em Portugal. Nesse sentido, Carlos Camponez foi mentor de um estudo sobre a situação dos jornalistas durante o período da Pandemia da Covid-19. Este trabalho juntou parcerias entre centros de investigação o Sindicato dos Jornalistas a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista centros de investigação. Desta experiência surgiu ainda a Rede Interuniversitária de Estudos sobre Jornalistas, que reúne investigadores de cinco instituições de ensino superior portuguesas, estando em análise a criação de parcerias com um grupo de investigação nesta área, na Alemanha.